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Concelho >Património > Natural

 

Rede Natura 2000

 

A rede ecológica denominada Rede Natura 2000 constitui um instrumento fundamental da política da União Europeia em matéria de conservação da natureza e da diversidade biológica e resulta da aplicação de duas diretivas, a saber:
- "Aves" (Directiva 79/409/CEE transposta para a ordem jurídica interna através do DL. n.º 75/91, de 14 de Fevereiro);
- "Habitats" (Directiva 92/43/CEE transposta para a ordem jurídica interna através do DL. n.º 226/97, de 27 de Agosto).
Tendo em vista a prossecução dos objectivos da rede, compete aos Estados membros designar Zonas de Protecção Especial (ZPE), ao abrigo da diretiva "Aves", e Sítios Nacionais, no âmbito da Diretiva "Habitats". A partir das várias listas nacionais de sítios serão posteriormente selecionados os Sítios de Importância Comunitária (SIC) que darão lugar a Zonas Especiais de Conservação (ZEC).
Juntas, as ZPE e as ZEC constituem a Rede Natura 2000.
O Governo Português, tendo em conta o âmbito complementar das diretivas "Aves" e "Habitats", procedeu à regulamentação num único diploma das disposições nacionais relativas a essas matérias (Decretos-Leis n. os 75/91, de 14 de Fevereiro, e 226/97, de 27 de Agosto) – DL. n.º 140/99, de 24 de Abril.
Áreas significativas do concelho de Serpa integram:
- o Sítio "Guadiana" (aprovado na Resolução do Conselho de Ministros n.º 142/97, de 28 de Agosto);
- o Sítio "Moura/Barrancos (aprovado na Resolução do Conselho de Ministros n.º 76/2000, de 5 de Julho);
- as Zonas de Proteção Especial (ZPE) de Moura/Mourão/Barrancos e Vale do Guadiana (criadas pelo Decreto-Lei n.º 384-B/99, de 23 de Setembro).

 

Sítio Guadiana (39 257 ha)
(Abrange parte do Parque Natural do Vale do Guadiana)
O rio Guadiana e ribeiras afluentes constituem uma área privilegiada em endemismos e comunidades biológicas interessantes.
Entre os valores naturais deste sítio, estritamente ligados aos cursos de água, distinguem-se unidades florísticas peculiares e únicas, como é o caso da vegetação ribeirinha de cursos de água mediterrânicos intermitentes.
O Guadiana é o único rio em Portugal no qual o esturjão (espécie prioritária, migradora, classificada "em perigo") tem uma presença regular. Para além desta espécie ocorrem mais três espécies migradoras, o sável, a savelha e a lampreia, e pelo menos dois endemismos ibéricos, a cumba e o bordalo (classificada como ameaçada). As formações ripícolas suportam uma avifauna característica, de grande importância conservacionista. O lince tem uma ocorrência provável na área.


Sítio Moura/Barrancos (43 309 ha)
Área muito heterogénea do ponto de vista biofísico, observando-se a existência de zonas de planície cerealífera, de pastagens e de montados de sobro e azinho. Inclui ainda cursos de água de características torrenciais com alguns troços de vegetação típica em bom estado de conservação.
Abrange um território com condições muito favoráveis à permanência do lince-ibérico e ainda o segundo abrigo mais importante do país para morcegos, que é um dos mais importantes da Europa em número de efetivos e o principal abrigo de hibernação em Portugal de espécies do género Rhinolophus (morcego-de-ferradura). Inclui também cursos de água importantes para a lontra e cágados. Esta zona constitui um local extremamente importante em relação à avifauna, quer pela presença de importantes populações de aves estepárias como a abetarda, entre outras, quer pela existência de um importante local de invernagem de grous.


No concelho de Serpa foram ainda identificados pelo Instituto da Conservação da Natureza ( www.icn.pt ) dois sítios de grande interesse do ponto de vista dos seus valores naturais, a saber: o sítio de Malpique e o sítio de Vila Nova de S. Bento.

 

Malpique
(Sobrepõe-se parcialmente ao Sítio Moura/Barrancos)
A zona de Malpique, em conjunto com as Serras da Adiça e de Ficalho, constitui um núcleo de vegetação de calcários isolados no seio de uma enorme extensão de solos siliciosos. Trata-se de uma "ilha" muito original de refúgio de flora e vegetação de calcários (um dos raros habitats de orquídeas calcícolas do Alentejo). O estado de conservação da vegetação nestas serras é também excecionalmente elevado, encontrando-se aqui bosques e matagais densos, de elevada maturidade ecológica. Este sítio tem igualmente uma enorme diversidade de habitats e de paisagem vegetal. É um núcleo de flora e vegetação bem conservada, original, madura e já muito rara no sul de Portugal, constituindo um importante contributo para a manutenção da biodiversidade à escala regional.


Vila Nova de S. Bento
Área de montados de azinho e pontualmente de sobro, com densidades elevadas em combinação com uma área importante do rio Chança. Nos montados encontram-se alguns exemplos das raras pastagens naturais vivazes bem conservadas do Alentejo. No vale deste rio internacional são frequentes, também, bosques de azinheira próximos do estado clímax ou em recuperação rápida para este estado. Como tal, possuem grande maturidade ecológica e interesse de conservação. A vegetação de "tamujos" e loendreiros torna este rio importante para a conservação regional deste tipo de vegetação. Foi ainda detetada uma população importante de Marsilea batardae.

 

Parque Natural do Vale do Guadiana (PNVG)   


Engloba na sua extensão grande parte do concelho de Mértola e uma pequena parte do concelho de Serpa (nas freguesias de Santa Maria e São Salvador). Foi criado pelo Decreto Regulamentar n.º 28/95, de 18 de Novembro, e conta com uma área de 69600ha que corresponde ao troço médio do vale do Guadiana, entre a zona a montante do Pulo do Lobo e a foz da ribeira do Vascão.
Na área do PNVG existem três grandes unidades paisagísticas: os vales encaixados do rio Guadiana e seus afluentes, as elevações quartzíticas das serras de Alcaria e São Brão (com altitude máxima de 370 m) e as ondulantes planícies que dominam em extensão esta área protegida.
O Parque apresenta extraordinário interesse do ponto de vista ecológico e ambiental e compreende uma grande diversidade de habitats, que vão do rio sujeito a marés, bancos de vasa e areia, formações ripícolas e rupícolas, matos, azinhal, pinhal, áreas agrícolas com culturas arvenses, cereais e pastagens.
Mas é a fauna a jóia do Parque, destacando-se os grupos de mamíferos (presença de algumas espécies raras ou ameaçadas), aves (existência de grandes rapinas bem como de alguns dos maiores garçais do país) e peixes (de referir algumas espécies endémicas de grande interesse científico e económico). Também no que respeita à flora e vegetação é de assinalar um razoável elenco de espécies endémicas raras ou ameaçadas.

Árvores classificadas de interesse público


Existem em todo o país árvores que se distinguem de outros exemplares pelo seu porte, desenho, idade e raridade, sendo protegidas pelo Decreto-Lei n.º 28468 de 15/2/38 e classificadas de árvores de Interesse Público, após apreciação da Direcção-Geral das Florestas e consequente publicação em Diário da República.
No concelho de Serpa foram já classificadas como árvores de Interesse Público cinco exemplares de Olea europaea L. var. europaea , vulgarmente conhecidas por oliveiras, duas em frente ao Jardim Municipal e três na Rua dos Arcos, na cidade de Serpa (DR. II Série, n.º 298 de 27/12/2001). 

Roteiros Naturais

»  Roteiro com Aves
No "Roteiro com as Aves do Alentejo", da autoria de Miguel Pais e Rogério Cangarato, o primeiro local de visita recomendado é o alto de S. Gens. Uma impressionante vista em todas as direções deixa adivinhar para Sul os contornos de Alcaria Ruiva, pequena serra próxima de Mértola, e, do outro lado do Guadiana, da grande Serra do Caldeirão, em território algarvio. A Norte, o imponente maciço da Serra Morena que ajoelha suavemente para a Serra de Portel, marca os contornos do horizonte.
É, de facto, um dos melhores locais para se aperceber a possível interconexão entre algumas grandes serras da bacia do Guadiana, através das acentuadas depressões que se advinham na paisagem, ao longo dos vales do Guadiana e do Chança, rio fronteiriço que nasce na Serra Morena e delimita a metade Sul da Margem Esquerda do Guadiana em território português.
Os arredores de Serpa são principalmente utilizados para a exploração de culturas tipicamente mediterrânicas, como o olival. A diversidade de passeriformes associada aos matos baixos e olivais é aqui grande e aconselham-se paragens e percursos a pé para identificar os cantos das várias espécies que se escondem entre as folhagens densas (melros e tordos, estorninhos, chapins, carriça, felosas e toutinegras, entre outras).
A partir de Serpa, para Sul, existem duas alternativas: o vale do Guadiana, na zona do Pulo do Lobo (atravessando uma tipologia de habitat verdadeiramente típica da Serra de Serpa) ou a estrada nacional Serpa - Mértola, onde é possível conhecer a lindíssima Ribeira de Limas e o não menos imponente Rio Chança. A diversidade ornitológica é grande e o melhor conselho que é possível transmitir é mesmo dispor de mais de um dia para conhecer todos os recantos acessíveis a partir das estradas nacionais, sempre sem perturbar a fauna e sem danificar a flora.
Entre Serpa e Vale do Poço, pela estrada que passa ao Pulo do Lobo, a Serra de Serpa mostra a sua história recente de sobre-exploração do montado intimamente relacionada com a grande necessidade de combustível (lenha/carvão) para a Mina de S. Domingos. O montado está envelhecido e é bastante disperso. Nesta paisagem quase abandonada de usos humanos atuais, a degradação florestal é grande e requer um plano integrado de recuperação que trave a desertificação da área. Por entre a paisagem ondulada (que induziu a toponímia de "serra" no vocabulário coletivo local), é possível observar com relativa facilidade o Peneireiro-cinzento e, nas zonas onde os matos abundam, a localizada Toutinegra-tomilheira.
A aproximação ao Pulo do Lobo e ao rio Guadiana introduz o observador na zona das grandes águias. Águias reais e Águias de Bonelli estão presentes como nidificantes, para além da zona ser visitada regularmente por indivíduos não reprodutores que frequentam as áreas mais abertas ou as proximidades dos ninhos onde nasceram.
A paisagem é impressionante no Pulo do Lobo. Matagais de esteva dominam as encostas e grandes rochedos talhados pelo Guadiana, que aqui apertou o seu curso, e albergam todas as espécies próprias das zonas mais remotas desta região do país tais como a Cegonha-preta, o Bufo-real, o Rouxinol-do-mato e várias espécies de mamíferos e carnívoros.
Próximo à povoação de Vales Mortos, uma estrada secundária conduz a Corte de Pinto e, a partir da mesma, para Este, saem várias estradas de terra batida em direção ao Rio Chança. Juntamente com alguns setores do vale do Guadiana, é uma das zonas que terá sido mais poupada à intensa "campanha do trigo" e mantém, ainda hoje, uma vegetação com uma estrutura bastante íntegra. É novamente altura de estar atento à presença de aves de rapina diurnas e noturnas, para além de espécies rupícolas e passeriformes associadas às linhas de água e matagais cerrados. É uma das zonas onde a deteção dos interessantes Rouxinóis-do-mato, Toutinegra-tomilheira e Felosa-do-mato é mais fácil, dada a sua abundância relativa. As zonas de caça de regime ordenado (turísticas e associativas) são aqui dominantes e é sempre necessário respeitar a propriedade privada e a necessidade de uma eventual autorização para visitar o seu interior.

 
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