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Concelho >Património > Arqueológico

O inventário do património arqueológico do concelho de Serpa, realizado em 1997 pelo Instituto de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, no âmbito de um protocolo com a autarquia, dá conta da existência de mais de três centenas de sítios arqueológicos repartidos por um longo período, desde a Pré-história à época Medieval/Moderna. O número de referências inéditas (74,5%) torna bem claro o avanço do conhecimento sobre a arqueologia do concelho que este trabalho aporta.

OS PRIMEIROS PASSOS DA SEDENTARIZAÇÃO - NEOLÍTICO


Terra de invejáveis recursos, tão diversificados como a fertilidade agrícola das suas terras, a riqueza mineral do seu solo, o potencial cinegético das suas serras e montados, ou piscícola dos seus rios e ribeiros, o concelho de Serpa e áreas limítrofes tudo tinham para oferecer, atrair e fixar o homem. Interior mas não isolada, esta região é rasgada por uma das mais importantes vias fluviais do extremo ocidental da Península – o Guadiana – que, como via de comunicação, interligou regiões, gentes e costumes.
Ignora-se ao certo a altura em que, pela primeira vez, o homem percorreu e ocupou as terras do atual concelho de Serpa.
Ainda que muito mal conhecidos e bastante fragmentários, os mais antigos testemunhos humanos atribuíveis a contextos cronológicos de relativa segurança remontam ao Neolítico (V/IV milénio a.C.). Envolvendo, por certo, diferentes e complementares estratégias de exploração do território, essas primeiras comunidades, organizadas em pequenos grupos, parecem ter privilegiado a proximidade dos recursos hídricos (Enxoé e barrancos subsidiários).
Ao longo do IV milénio a.C., mas particularmente no seu final e na transição para o milénio seguinte, assiste-se à paulatina fixação das comunidades à terra.
Comunidades de pastores e agricultores, ainda semi-deambulantes, instalam-se em sítios que ocupam amplas áreas abertas, no topo de plataformas ou em suaves colinas e suas encostas, de baixa altitude, à volta das curvas de nível dos 80/140 m, sem quaisquer sérias condições naturais de defesa.

A CONSOLIDAÇÃO DA PRESENÇA NO TERRITÓRIO - CALCOLÍTICO, IDADE DO BRONZE E IDADE DO FERRO

Alguns dos povoados existentes continuarão ocupados durante parte do III milénio a.C. (Calcolítico), mas outros, com características topográficas distintas, ocupando zonas de difícil acesso ou naturalmente defendidas, são agora fundados de raiz. Por outro lado, no final do milénio, os achados arqueológicos expressam já uma maior interacção entre as comunidades. As necrópoles deste período são praticamente desconhecidas no concelho. Em contrapartida, para o II milénio a.C. (Bronze) não se conhecem os povoados coevos das diversas cistas disseminadas por quase todo o termo de Serpa, quer em áreas aplanadas e férteis, quer em zonas de relevo acidentado e de solos inaptos à agricultura.
Só à medida que se aproxima o final do II milénio a.C., e na viragem para o seguinte, se voltam a encontrar os vivos, perdendo, contudo, e até ao período romano, o rasto dos mortos.
Os povoados pautam-se agora pela diversidade – em implantação, dimensão e funcionalidade -, acompanhando o evoluir da própria especialização, hierarquização e complexificação da sociedade. A par de discretos povoados sem defesas naturais ou ocupando pequenos cabeços inseridos em suaves ondulações, surgem outros de altura, natural e/ou artificialmente defendidos, segundo um modelo de ocupação concentrada.
O aparente colapso dos povoados do Bronze Médio parece repetir-se por meados do I milénio a.C., visto que, após as ocupações decorridas durante os primeiros séculos deste milénio, só se voltam a identificar vestígios atribuíveis aos séculos IV e III a.C., isto é, à II Idade do Ferro. São enormes os povoados desta época mas ignora-se como se estruturavam económica e socialmente.

 

O PERÍODO ROMANO: A MUTAÇÃO DA PAISAGEM


Conceição Lopes e Pedro Carvalho defendem que Serpa e Fines (Vila Verde de Ficalho), pela importante posição que ocupavam no eixo da grande via pública Pax Iulia (Beja) – Onuba (Huelva), terão sido aglomerados urbanos secundários do vasto território da civitas de Pax Iulia .

 

Estes dois sítios, com vestígios arqueológicos que lhes conferem uma certa importância, poderão corresponder a mansiones, ou seja, estações de muda e pousadas para acolher viandantes no termo de uma jornada. Esta hipótese é sugerida pelo facto de distanciarem entre si cerca de XX milhas (29,3 km), extensão que, nessa época, se inscreve dentro dos limites geralmente preconizados para um dia de marcha.
No termo do concelho, as villae , propriedades de 200/400ha, localizavam-se, maioritariamente, em suaves encostas, próximo de barrancos, nas áreas de solos com boas aptidões agrícolas (solos do tipo A e B, sobretudo), próximo das vias principais ou com fácil acesso a estas.
Por seu turno, os casais, unidades autónomas de exploração familiar, em média de 50ha, surgiam na transição dos solos de boas aptidões agrícolas para os solos pobres (tipo E), em áreas onde o relevo se tornava mais ondulado, ocupando aí, quase sempre, o topo de cabeços. Relativamente às villae posicionavam-se na sua periferia, desenhando como que uma cintura entre os terrenos ocupados por estas e os solos pobres, vazios de povoamento nesse período.
Os pequenos sítios surgem na paisagem em posição bastante homogénea, ocupando, quase na totalidade, o topo de pequenos outeiros. Não seriam pequenas unidades economicamente autossuficientes mas sim modestas construções afetas às propriedades de villae e casais que tinham a função de servirem as necessidades pontuais das explorações.
Por último, no que se refere às necrópoles, são muito poucas aquelas que se conhecem no espaço do concelho. Apenas os monumentos epigráficos permitem conhecer melhor os mortos na região de Serpa. E eles apontam no sentido de se haver instalado desde os primórdios da "ocupação" romana gente oriunda diretamente da Península Itálica e do Norte de África. Nesse sentido, o termo de Serpa dá exemplo ímpar duma aculturação precoce em que colonos e indígenas e, curiosamente, até o rural e o urbano, se entrelaçam na intimidade.

 

SERPA NO CONTEXTO DO GARBE AL- ANDALUZ

O povoamento muçulmano do alfoz de Serpa parece ter sido reduzido. Tendo em consideração a estratégia do povoamento rural islâmico, com preferência por povoados de altura e em encostas ou plataformas de cabeços, deixando livres os melhores terrenos agrícolas, seria provável que alguns locais, nomeadamente na área da Serra Grande de Serpa (onde se documentam malhadas dos séculos XIII/XIV), pudessem ter sido ocupados, ainda que temporariamente, aproveitando, inclusive, parte de antigos povoados pré-romanos. Não foram, porém, identificados sítios de altura.
Apenas cerca de uma dezena de referências dizem respeito a povoações ou alcarias com ocupação islâmica antiga e plena. Esses sítios revelam, quase que exclusivamente, uma continuidade de ocupação em villae e pequenos sítios romanos. E, nalguns deles, ocorrem também vestígios pós-islâmicos, nomeadamente dos séculos XV/XVI, época em que parece ter existido uma certa dinamização na fundação dos "montes" alentejanos.
No que concerne a Serpa ( Sirba ), é provável a sua importância como fortificação, centro de um pequeno território, visto localizar-se num local estratégico, sensivelmente num ponto equidistante entre Moura, a norte, e Beja, a poente, e por onde passavam vias de comunicação essenciais no âmbito da rede viária do al-Andaluz.
 
Património arqueológico classificado

Barragem romana do Muro dos Mouros
Imóvel de Interesse Público (Dec. n.º 26-A/92; DR. 126, de 1 de Junho de 1992)
Trata-se de uma barragem curvilínea, com cerca de 130 metros de comprimento , 3 metros de altura e 1,5 metros de largura. Calcula-se que a área inundada pela barragem rondaria os 57400 m2, armazenando cerca de 80000 m3 de água. Esta barragem estaria decerto relacionada com a villa do Monte das Oliveiras (freguesia de S. Salvador).
 
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